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Emily Brontë - O Morro dos Ventos Uivantes (Resenha)

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O Morro dos Ventos Uivantes (1847), foi o único romance de Emily Brontë, que se dedicava mais às poesias, contudo acabou ficando mais conhecida devido a este clássico, que se tornou um sucesso. Narra o conturbado e controverso amor entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. Este era um garoto pobre e órfão de origem desconhecida que é adotado pela rica família Earnshaw. Rejeitado por Catherine, humilhado pelo irmão dela, Hindley, e desdenhado pela família Linton, Heathcliff deixa a casa e retorna anos depois como um homem rico e polido em busca de vingança. O que se segue é uma série de eventos desastrosos em que os personagens são consumidos pela inevitável tragédia de suas paixões destrutivas. O romance de Emily Brontë é uma mistura de Romantismo, Romance Gótico, Tragédias Gregas e Shakespeare, era diferente de tudo o que havia em sua época: violento, obscuro, e desafiando os ideais vitorianos de moralidade, classe, religião e desigualdade de gênero. Isto, em grande parte se deve aos s

Poema inspirado em "Castlevania: Symphony of the Night"

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Escrevi este soneto inspirado no jogo “Castlevania: Symphony of the Night” (1997) da franquia “Castlevania”, que é livremente inspirada em “Drácula” de Bram Stoker e traz referências a outros clássicos da Literatura Gótica, como “Carmilla” de Sheridan Le Fanu. No jogo, o protagonista Alucard, filho de Drácula, após séculos de sono, acorda e vaga pelo castelo de seu pai à sua procura, para matá-lo. Alucard discorda das atitudes de Drácula, que pretende exterminar a humanidade, após esta ter executado Lisa, humana esposa de Drácula e mãe de Alucard, por acharem que ela era uma bruxa. Este foi escrito sob a perspectiva do dampiro (meio vampiro, meio humano) Adrian Tepes, conhecido como Alucard, que nada mais é que o nome de Drácula ao contrário. Alucard, embora convicto de seu dever, às vezes fica confuso pelas emoções de seu lado humano. Sinfonia da Noite   Eis que ressurjo após longevos anos, Imerso em um desígnio assustador; Necessário, porém, ao fim do horror Em que jazem imersos os h

Contos Clássicos de Vampiro (Resenha)

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"Contos Clássicos de Vampiro" foi publicado em 2012 pela Editora Hedra. O livro abre com uma incrível introdução de 30 páginas escrita por Alexander Meireles da Silva, que navega pela história dos vampiros desde a sua origem até a sua influência nos dias atuais. O primeiro conto é o curto "Trecho de um Romance" de Lord Byron, que ficou incompleto, mas tem a sua importância, por ter inspirado John Polidori a escrever "O Vampiro", que inclusive é o segundo conto que aparece no livro. Este conto, publicado originalmente há mais de 200 anos, é considerado uma das mais importantes e influentes histórias vampirescas da literatura ao apresentar o seu elegante, mas terrível protagonista Lord Ruthven, inspirado no próprio Lord Byron, trazendo o que viria a ser o estereótipo do vampiro aristocrata, culto e charmoso, bastante utilizado até hoje. "O Hóspede de Drácula" de Bram Stoker, foi publicado postumamente. E segundo a sua esposa viúva, este seria o

Luciana Fátima & Arlindo Gonçalves - Ad Infinitum (Resenha)

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"Ad Infinitum: Réquiem Para Álvares de Azevedo e Ian Curtis" (2019) foi escrito por Luciana Fátima e Arlindo Gonçalves. Narra um encontro impossível, mas que seria incrível se realmente acontecesse: o poeta ultrarromântico brasileiro do século XIX Álvares de Azevedo e o poeta à frente do Joy Division até início dos anos 80, Ian Curtis, ambos influentes cada um a seu modo e admirados até hoje. Luciana Fátima é estudiosa de Álvares de Azevedo e já tive o prazer de ler outros dois livros dela sobre Maneco: “Álvares de Azevedo: o poeta que não conheceu o amor foi noivo da morte” (2009) e “Delírio, poesia e morte: a solidão de Álvares de Azevedo” (2015), ambos riquíssimos. Arlindo Gonçalves é estudioso de Joy Division e escreveu “In Aeternum - Joy Division: a Busca Afetiva por uma Imagem” sobre a clássica banda de pós-punk de Manchester. Em “Ad Infinitum”, Luciana e Arlindo uniram os seus conhecimentos, o que resultou nesta encantadora homenagem a Álvares de Azevedo e a Ian

Auta de Souza - Horto (Resenha)

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“Horto” é o único livro da poetisa brasileira Auta de Souza, falecida com apenas 24 anos. Consiste em uma coletânea de suas poesias e foi publicado em 1900, com prefácio do parnasiano Olavo Bilac, que na época era o mais célebre poeta brasileiro, embora ela não seguisse o Parnasianismo. Bilac escreveu sobre o livro: “ Horto será, para os que amam a linguagem divina do verso, um desses raros livros que se leem e releem com um encanto crescente”. . Sua escrita é marcada pela religiosidade, a interiorização e o subjetivismo, mostrando as suas influências simbolistas. O Romantismo também é presente, apresentado referências e influências de poetas como Castro Alves, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias, assim como aos românticos franceses Lamartine, Chateaubriand e Victor Hugo. Os seus sensíveis versos trazem sempre uma tristeza intrínseca, reflexo de sua personalidade melancólica; não há poemas de amor ou de alegria da poetisa amargurada por uma ilusã

John Clare - Poemas (Resenha)

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 "Poemas” foi o único livro com poemas de John Clare (1793-1864) publicado no Brasil. Foi primorosamente traduzido por Alexei Bueno nesta edição bilíngue, mantendo a métrica e a rima dos poemas, tarefa deveras complexa. Apesar do autor ter sido considerado o “Robert Burns inglês” e um dos principais autores da Segunda Geração Romântica inglesa junto com Byron, Keats e Shelley, ele não é muito conhecido no Brasil. O poeta tendo sido filho de um agricultor e logo tendo uma infância rural, teve a natureza como tema central em seus poemas, sempre louvando-a ou lamentando a sua destruição, isto sempre através de versos simples, tanto no linguajar quanto no metro. Porém, apresenta também poemas com a clássica melancolia e sentimento de incompreensão, inerentes ao Romantismo, sendo deste estilo o seu poema mais conhecido:“I am” (Eu sou). John Clare passou os últimos 20 anos de sua vida internado com loucura, às vezes se identificava com Shakespeare e outras como Byron. Infelizmente não o

Bernadin de Saint-Pierre - Paulo e Virgínia (Resenha)

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 "A morte é um bem para todos os homens, é a noite do dia inquieto que se chama de vida! É no sono da morte que repousam para sempre as enfermidades, as dores, os pesares, os receios que agitam sem cessar os desgraçados viventes!" (Paulo e Virgínia, pág.148, Bernadin de Saint-Pierre, Vieira Neto, 1965, Editora Matos Peixoto) "Paulo e Virgínia" é um eterno clássico do Romantismo, escrito e publicado pelo francês Bernadino Saint-Pierre(1737-1814) há mais de 220 anos. A história do livro é bem simples e suave, assim como o modo como é contada: duas mulheres pobres, a senhora La Tour e Margarida viviam na pequena ilha de França(lugar distante de qualquer civilização); a primeira acabara de se tornar viúva e estava grávida, e a segunda acabara de ser enganada por um nobre que havia prometido se casar com ela, mas na verdade apenas a usou, engravidando-a, e fugindo logo após. As duas mulheres desgraçadas logo unem-se e tornam-se grandes amigas. Depois, nascem os seus filh

Goethe - Os Sofrimentos do Jovem Werther (Resenha)

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 O Romantismo, associado às mudanças sociais e políticas que derivam da Revolução Industrial e da Revolução Francesa, surge no final do século XVIII, na Europa, e perdura até meados do século XIX. Wolfgang von Goethe(1749-1832) e Friedrich Schiller(1759-1805) foram os principais representantes do "Sturm und Drang" como era chamado o início do Movimento Romântico alemão. O termo ao pé da letra significa “Tempestade e Ímpeto” e apareceu pela primeira vez como título de uma peça de Friedrich Maximilian Klinger(1752-1831), publicada em 1776, onde o autor expressa as emoções humanas de maneira extrema e violenta, anunciando uma forma de expressão individualista e subjetiva em contraposição ao racionalismo emergente da época. A expressão “Sturm und Drang” passou então a ser associada à arte que objetivava chocar o público ou emocioná-lo com um sentimentalismo exacerbado, beirando à irracionalidade, sendo os personagens das obras colocados em situações que levem a esses extremos, ao

Gilka Machado - Poesia Completa (Resenha)

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A poetisa carioca Gilka Machado publicou o seu primeiro livro "Cristais Partidos" em 1915, quando tinha apenas 22 anos. Foi prefaciado por Olavo Bilac. Gilka Machado é uma autora por vezes ignorada pela crítica literária brasileira, apesar de sua escrita belíssima. A autora desafiou as convenções sociais ao lutar pela libertação sexual da mulher e por ter sido uma sufragista ativa e uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino, além de ter confrontado o racismo e o machismo da época. Sua obra nos mostra duas personas distintas que conflitam entre sim: a poetisa ousada, levada pela sensualidade e erotismo; e a poetisa mãe, decorosa, que homenageia os seus filhos e os trabalhadores. Seu estilo literário vagueia pelo Parnasianismo, que fica claro em sua busca pela perfeição da forma e na preocupação de cada palavra que compõe o seu vocabulário. Mas a autora não se encaixa em só um estilo literário, pois esta mesma escrita rígida, muitas vezes, se torna mais livre, chegando

Emily Brontë - O Vento da Noite (Resenha)

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"O Vento da Noite" é uma coletânea de poesias de Emily Brontë, autora de “O morro dos ventos uivantes”, falecida com apenas 30 anos de idade. Este livro apresenta 33 poemas, com tradução de Lúcio Cardoso, e é o único no Brasil com poemas traduzidos da poetisa inglesa. Emily escreveu quase 200 durante a sua curta vida. O livro tem poemas intensos sobre as suas emoções e conflitos internos, morte, liberdade, desilusões, carregados de uma atmosfera nostálgica, onírica e melancólica. Emily não escreveu para ser lida, mas apenas para aliviar um coração transbordando de sentimentos aprisionados. A sua irmã Charlottë descobriu “sem querer” os versos de Emily e ficou profundamente impressionada, segundo ela “eram versos completamente diferentes do que as mulheres geralmente escreviam... eram condensados e concisos, vigorosos e genuínos... também tinham uma música peculiar, selvagem, melancólica e elevada.” E de fato! Os seus poemas revelam um coração com excesso de imaginação, uma mú