Bernardo Guimarães - A Escrava Isaura (Resenha)

O romance “A Escrava Isaura” foi lançado em 1875, época em que ainda havia escravidão no Brasil e representa esse período sombrio, embora não seja tão cruel e desumano quanto a era dos fatos. Bernardo Guimarães, como bom romântico, apresenta uma escrita exagerada, linguagem rebuscada, e com direito a citações e referências a Shakespeare, Byron, Lavaster, Camões, Homero e Bíblia.

Outro elemento inerente à obra, são as percepções e os sentimentos idealizados, além do antagonismo estereotipado dos personagens, que são quase sempre completamente bons ou completamente maus. Não que tudo isso seja ruim. São apenas características de um dos estilos de literatura da época, ou Romantismo, embora já estejam quase no seu fim no Brasil.

Mas por que este livro fez tanto sucesso e se tornou um clássico? Provavelmente pela temática, que muitos podem achar até apelativo. O autor mostra a realidade dos escravos (apesar de eufemística, como já mencionado), que eram considerados como seres inferiores, e mostravam a sua posição através do abolicionista Álvaro, que acha absurdo ainda a existência de escravidão afirmando que está em si já é uma indignidade, uma úlcera hedionda na face da nação, que é um terreno protegido. ”

E apesar de uma obra ter sido um símbolo importante contra uma era escravagista, existe uma controvérsia pelo fato de um protagonista escrava ser branca e todo o momento ser louvada como suas qualidades e sendo declarado que ela não se parece com uma escrava, além de ter sido uma ótima educação, destruindo a realidade, em que escravos eram negros, sem oportunidade e considerados meros objetos dos representantes, que não tinham direito em nada.

Isso não tira o mérito do livro; o autor final foi um dos intelectuais da época, que utilizou a escravidão e perguntou como alterar algo, ao seu modo, o mesmo que com "críticas poéticas" da realidade, e depois uma obra de ficção. Enfim, uma obra que foi importante em seu tempo e ainda é para entender o contexto da época e o seu lugar na literatura brasileira.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Goethe - Os Sofrimentos do Jovem Werther (Resenha)

Lord Byron - Poemas Recitados