Lord Byron - Manfredo (Resenha)

“Manfredo” foi publicado em 1817 por Lord Byron, e é um poema dramático dialogado, escrito em versos hendecassílabos brancos. Foi descrito pelo próprio Lord Byron como "um drama metafísico".


Fala sobre o nobre inglês Manfredo, que se mudou para seu castelo nos Alpes suíços em busca de paz e esquecimento de intensos sentimentos de culpa e de remorso por um misterioso pecado ligado à morte de sua amada, Astarte. Através das ciências ocultas, ele invoca os sete “espíritos do universo imensurável” para o ajudar. Mas como os espíritos não conseguem controlar os eventos passados, Manfredo não consegue superar o passado. Em desespero, tenta cometer suicídio e também não consegue por um certo período de tempo, permanecendo solitário com sua culpa.

A obra apresenta clara influência ora de “Fausto” ora de “Werther” ambos de Goethe refletidos no herói byroniano Manfredo. Ele parece ter feito algo horrível, mas Byron não revela claramente o que era. Muitos estudiosos dizem que ele escreveu baseado em suas próprias experiências, e a agonia por ter se relacionado com a sua meia-irmã Augusta, representada por Astarte na obra, pois Byron a escreveu após um casamento fracassado e acusações de incesto que o levaram ao exílio da sociedade londrina. Tal interpretação é fortalecida pela Cena II do Ato II quando ele a descreve: “Era ela como eu nas feições...diziam-no… como os meus, eram seus olhos, seus cabelos, seus traços (...) Tinha, como eu, os mesmos pensamentos solitários. As mesmas aberrações, a mesma sede das ciências ocultas, e um espírito capaz de compreender o Universo (…) Seus defeitos eram os meus… (...)”

Depois ele ainda diz que ela não foi morta pelas suas mãos, mas sim pelo seu coração. Então seria de fato Artarte a sua irmã que não conseguiu lidar com o amor incestuoso e se matou? Talvez.

Sendo ou não autobiográfica, “Manfredo” é uma belíssima obra romântica recheada de profundos diálogos pessimistas e monólogos existenciais. Vale destacar também a edição impecável da Editora Sebo Clepsidra, que conta com capa dura, ilustrações, tradução em prosa e prefácio de Antônio Franco da Costa Meirelles e notas de Cid Vale.

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