Auta de Souza - Horto (Resenha)

“Horto” é o único livro da poetisa brasileira Auta de Souza, falecida com apenas 24 anos. Consiste em uma coletânea de suas poesias e foi publicado em 1900, com prefácio do parnasiano Olavo Bilac, que na época era o mais célebre poeta brasileiro, embora ela não seguisse o Parnasianismo. Bilac escreveu sobre o livro: “Horto será, para os que amam a linguagem divina do verso, um desses raros livros que se leem e releem com um encanto crescente”..

Sua escrita é marcada pela religiosidade, a interiorização e o subjetivismo, mostrando as suas influências simbolistas. O Romantismo também é presente, apresentado referências e influências de poetas como Castro Alves, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias, assim como aos românticos franceses Lamartine, Chateaubriand e Victor Hugo. Os seus sensíveis versos trazem sempre uma tristeza intrínseca, reflexo de sua personalidade melancólica; não há poemas de amor ou de alegria da poetisa amargurada por uma ilusão amorosa, mas há muitos sobre morte e infância, criando um contraste de início/fim, envolto de uma atmosfera mística, onírica e reflexiva.

A poetisa fez bastante sucesso e se destacou por suas habilidades em um tempo em que quase todos os poetas reconhecidos eram homens. Da primeira edição de seu livro foram impressos mil exemplares, e estes se esgotaram em 2 meses, vindo a poetisa a falecer poucos meses depois.

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