Bernadin de Saint-Pierre - Paulo e Virgínia (Resenha)

 "A morte é um bem para todos os homens, é a noite do dia inquieto que se chama de vida! É no sono da morte que repousam para sempre as enfermidades, as dores, os pesares, os receios que agitam sem cessar os desgraçados viventes!"

(Paulo e Virgínia, pág.148, Bernadin de Saint-Pierre, Vieira Neto, 1965, Editora Matos Peixoto)

"Paulo e Virgínia" é um eterno clássico do Romantismo, escrito e publicado pelo francês Bernadino Saint-Pierre(1737-1814) há mais de 220 anos. A história do livro é bem simples e suave, assim como o modo como é contada: duas mulheres pobres, a senhora La Tour e Margarida viviam na pequena ilha de França(lugar distante de qualquer civilização); a primeira acabara de se tornar viúva e estava grávida, e a segunda acabara de ser enganada por um nobre que havia prometido se casar com ela, mas na verdade apenas a usou, engravidando-a, e fugindo logo após. As duas mulheres desgraçadas logo unem-se e tornam-se grandes amigas. Depois, nascem os seus filhos: Paulo(de Margarida) e Virgínia(da senhora La Tour). Os dois são criados juntos como irmãos desde que nasceram, e, à medida que vão crescendo, em momento algum se separam um do outro. A família então vive em plena felicidade e inundada de um amor terníssimo e puro. Porém, chega o dia em que eles recebem a notícia de que uma rica tia da senhora La Tour pretende deixar para ela toda a sua fortuna. A senhora La Tour não estando em condições de viajar para a França, manda a sua filha, Virgínia, que inicialmente recusa, mas depois acaba aceitando, ao pensar no futuro de sua família. Deste momento em diante, a melancolia viverá no coração de Virgínia, de Paulo e de suas mães.

"Paulo e Virgínia" é um romance sobre a beleza da vida simples e pura dos campos. Os protagonistas da obra são seres simplórios e ignorantes, ainda vivem na inocência, e por isto, são felizes; não conhecem os sentimentos ruins, e por isto, o que mais os apraz é fazer o bem e praticar o amor, um amor ocasionado pela simples vontade de amar, sem esperar nada em troca. A linguagem cândida e sentimentalista da obra assemelha-se ao romantismo de "Os sofrimentos do jovem Werther" de Goethe e "Graziela" de Lamartine, assim como o desfecho inevitavelmente trágico.

O romance apresenta ainda muitas críticas à sociedade burguesa do tempo e ao seu modo de vida fútil, corrompido pelo artificialismo. Deste modo, baseado nas ideias de Rousseau do "bom selvagem", Saint-Pierre desvela o contraste entre a vida simples, campestre (onde há a virtude e a verdadeira felicidade) e a vida luxuosa nas cidades grandes ( onde à felicidade sobrepõem-se o prazer frívolo e a hipocrisia).

"Paulo e Virgínia" foi escrito em 1787, embora o autor já planejasse escrevê-lo há tempos, pois ele realmente viveu um tempo(de 1768 a 1770) na Ilha de França, lugar onde se passa a história; por isto as ricas descrições da natureza que há em todo o livro. Ao ser publicado, em 1788, fez tanto sucesso que rapidamente foi publicado em dezenas de outros idiomas.

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