Gilka Machado - Poesia Completa (Resenha)

A poetisa carioca Gilka Machado publicou o seu primeiro livro "Cristais Partidos" em 1915, quando tinha apenas 22 anos. Foi prefaciado por Olavo Bilac. Gilka Machado é uma autora por vezes ignorada pela crítica literária brasileira, apesar de sua escrita belíssima.

A autora desafiou as convenções sociais ao lutar pela libertação sexual da mulher e por ter sido uma sufragista ativa e uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino, além de ter confrontado o racismo e o machismo da época.

Sua obra nos mostra duas personas distintas que conflitam entre sim: a poetisa ousada, levada pela sensualidade e erotismo; e a poetisa mãe, decorosa, que homenageia os seus filhos e os trabalhadores.

Seu estilo literário vagueia pelo Parnasianismo, que fica claro em sua busca pela perfeição da forma e na preocupação de cada palavra que compõe o seu vocabulário. Mas a autora não se encaixa em só um estilo literário, pois esta mesma escrita rígida, muitas vezes, se torna mais livre, chegando à impetuosidade e desleixo, claramente intencionais.

Ela passeia também pelo Simbolismo, através de seus versos por vezes sombrios e metafóricos, trazendo ainda o sentimentalismo do Romantismo em alguns momentos, como no belíssimo soneto “Amei o amor, ansiei o amor. Sonhei-o”. E ainda, os nove sonetos “Reflexões” que apresentam várias divagações filosóficas sobre espiritualidade e a vida.

Gilka Machado é uma autora que deveria ter mais reconhecimento hoje, tanto pela sua rica obra poética quanto pelas suas lutas em causas sociais. Fica aqui a recomendação desta bela edição do Selo Demônio Negro.

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