Lord Byron - O Corsário (Resenha)

"O Corsário" (1814) é um conto em verso escrito por Lord Byron, dividido em três cantos. Foi extremamente popular e influente quando publicado e ao longo do século seguinte, vendendo dez mil cópias em seu lançamento.

Narra a história do pirata Conrad, uma figura enigmática e taciturna, que governa seus homens de maneira rígida, enquanto medita sobre o seu passado e odeia a si mesmo e a todos os outros, exceto ao amor de sua vida: Medora. Quando Conrad prepara um ataque ousado a um perigoso inimigo que jurou destruí-lo, Medora teme que ele nunca mais volte. Assim se inicia um conto de aventuras repleto de reviravoltas, amor trágico e sentimentos contraditórios.

Novamente temos o arquétipo do herói byroniano, ao apresentar Conrad como um homem misteriosamente carismático, sofisticado e introspectivo com um passado trágico, forjando seu próprio destino com orgulho e arrogância, mas com um código moral forte e individualista. É uma história fortemente romântica, repleta de surpresas e com um desfecho melancólico, como não poderia deixar de ser.

Um ponto interessante nesta obra são as heroínas românticas. Na época de atmosfera liberal e revolucionária do período romântico, as caracterizações femininas fictícias muitas vezes aludiam ao debate contemporâneo sobre o papel das mulheres na sociedade. Aqui temos Medora, que assume o estereótipo clássico das mulheres que têm voz e ação limitadas e não têm escolha a não ser esperar passivamente o retorno do marido. Em contraposição, temos Guinare, a heroína ativa e forte, que toma decisões complexas e age em prol da liberdade e contra injustiças. Mas apenar das diferenças, as duas são movidas pela mesma razão: o amor por Conrad.

Esta edição é da Editoria Anticítera, e apresenta tradução clássica do poeta romântico Cardoso de Meneses. A linguagem pode causar um certo estranhamento ou soar complexa para algumas pessoas, pois na tentativa de manter rima, métrica e ritmo, e também por ser do século XIX, o tradutor acaba por fazer alguns malabarismos como inverter frases ou usar palavras e expressões pouco usuais hoje. Mas é inegável a beleza e o refinamento da tradução.  

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