Emily Brontë - O Morro dos Ventos Uivantes (Resenha)

O Morro dos Ventos Uivantes (1847), foi o único romance de Emily Brontë, que se dedicava mais às poesias, contudo acabou ficando mais conhecida devido a este clássico, que se tornou um sucesso.


Narra o conturbado e controverso amor entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. Este era um garoto pobre e órfão de origem desconhecida que é adotado pela rica família Earnshaw. Rejeitado por Catherine, humilhado pelo irmão dela, Hindley, e desdenhado pela família Linton, Heathcliff deixa a casa e retorna anos depois como um homem rico e polido em busca de vingança. O que se segue é uma série de eventos desastrosos em que os personagens são consumidos pela inevitável tragédia de suas paixões destrutivas.

O romance de Emily Brontë é uma mistura de Romantismo, Romance Gótico, Tragédias Gregas e Shakespeare, era diferente de tudo o que havia em sua época: violento, obscuro, e desafiando os ideais vitorianos de moralidade, classe, religião e desigualdade de gênero. Isto, em grande parte se deve aos seus protagonistas: o misterioso Heathcliff, arquétipo do herói byroniano: taciturno e misterioso, cujo status social é destacado por sua falta de um sobrenome. Do outro lado temos Catherine, que tem uma personalidade mimada e manipuladora, fazendo jogos psicólogos com outros personagens e tendo constantemente crises emocionais. Ambos são daqueles personagens que não sabemos se odiamos ou se sentimos empatia

Não leia ”O Morro dos Ventos Uivantes”, pensando ser um romance de amor “bonitinho”. É uma leitura caótica, sombria e angustiante, sobre abusos e vinganças que atravessam gerações, e com personagens perversos e desagradáveis. Há situações tão tensas que provocam reações diversas no leitor, como repulsa, raiva, tristeza... Eu mesmo não consegui conter as minhas lágrimas em alguns momentos.

A sua beleza está na escrita magnífica de Emily Brontë, na rica construção de personagens complexas e nas reflexões que nos provoca, ao tocar em temas tão pesados e difíceis de se abordar em uma história de ficção, sobretudo considerando o tempo em que foi escrita. Sem dúvidas, é um dos melhores e mais profundos livros que já li, e o considero essencial a todos que amam literatura.

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